Não, obrigado. Não, não posso.

Na verdade eu posso comer, mas quando penso o número de pontos de cada coisa que me oferecem, a melhor resposta é “não posso”. Porque “não quero”, por mais que seja verdadeiro, as pessoas entendem como grosseria.

Vou criar um workshop de como tratar pessoas em processo de emagrecimento. Nem falo em dieta porque essa palavra transmite algo frágil, que pode se quebrar a qualquer momento. Eu mesma já quebrei essa palavra muitas vezes. Prefiro dizer que estou em processo de emagrecimento, o que equivale a uma desintoxicação para um drogado. Parece forte a comparação, mas não é. Veja o diálogo abaixo, ocorrido no final de semana na casa de pessoas que gostam de mim.

Quer cuca?

– Não, obrigada.

– Nem um pedaço?

– Não posso. Já estou comendo meu Pão Leve.

– Tem pão de milho, Raquel. Prova, está muito bom.

– Não posso. Se eu como Pão Leve, não como pão de milho. Se eu como cuca, não como nem pão e nem meu iogurte light.

– Tem doce para passar no pão. Morando, goiaba, figo…

– Já estou comendo uma porção quase transparente da geleia de morango, obrigada (esqueci de levar meu doce light de goiaba).

Esse diálogo foi repetido várias vezes com outros tipos de alimento (todos bem pontuados), até que uma hora fiz uma comparação da minha situação em processo de emagrecimento com a de um alcóolatra: “Quando um alcóolatra está se tratando não se oferece bebida com álcool.” Ficaram quietos por aquele momento e meu namorado falou: a Raquel já emagreceu 8 quilos comendo desse jeito. Momento quieto e sem nenhum “que legal, parabéns”. Aquilo não fazia a menor diferença para eles.

O mesmo tipo de diálogo “quer isso, quer aquilo” surgiu mais algumas vezes no final de semana. No almoço de domingo, meu namorado interveio quando foi dita a famosa frase “não se faz dieta no final de semana”. Se faz, sim, dieta no final de semana, ele respondeu antes de mim. Obrigada. Pelo menos uma pessoa sabe o que estou passando.

Emagrecer é um processo que exige muita paciência. Para dizer não muitas e muitas vezes para nossas escolhas e para as escolhas que as pessoas fazem por nós.

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2 pensamentos sobre “Não, obrigado. Não, não posso.

  1. Parabéns, Raquel! Pela sua força de vontade é que vc está conquistando rapidamente seu objetivo! Não é fácil, eu estou no mesmo barco. E sabe o que acho? Não sei se as pessoas não entendem ou se na verdade elas têm uma certa invejinha da nossa capacidade de resistir… no meu trabalho, quando tem bolo de aniversário e eu recuso, as pessoas pegam o pedaço de bolo e vem comer na minha frente, elogiando! Fico revoltada com a falta de respeito! E adorei a sua comparação com o alcóolatra! Resumindo, insistir em oferecer comida pra quem está em processo de emagrecimento é grosseria e falta de educação!

    • Oi Lilian, se não for falta de educação e respeito, pelo menos falta de tato eu sei que é. O negócio é seguir em frente e fugir dessas pessoas. Só não sofri mais nesse final de semana porque tinha muito crochê para fazer e porque levei meu kit de sobrevivência para lanchinhos. Beijo!

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